Vertigo: Além do Limiar


Steve Englehart - ‘John Harkness’



País de nascimento: Estados Unidos da América
20 de abril de 1947

Lista de revistas com trabalhos de Steve Englehart - ‘John Harkness’
Veja lista detalhada dos trabalhos


Roteirista de quadrinhos, especializado em super-heróis de “comic books” (os populares gibis americano). Nascido em Indianapolis, cursou a Wesleyan University, em Middletown, Connecticut.

Após uma passagem pelo Exército, mudou para Nova York, onde enveredou pelas historietas. Seu primeiro trabalho em HQs foi como assistente de Neal Adams no número 10 do magazine em preto-e-branco “Vampirella”, da editora Warren, em março de 1971.

Porém, Steve Englehart chegou à conclusão que seu verdadeiro talento estava na escrita. Assim, tentou a sorte como escritor na editora Marvel. “Eu não tenho tempo para editar”, contou o editor Roy Thomas a Englehart num de seus primeiros serviços para a Marvel, “por isso vamos te contratar para escrever essa série. Se você entregar no prazo e fizer vender, pode continuar. Se não vender, a gente te demite e contrata outro”. Nesse espírito de pegar ou largar, Englehart escreveu “Mestre do Kung Fu” (com desenhos de Jim Starlin), o “Fera” (um dos “X-Men”) em “Strange Adventures”, “O Incrível Hulk” (pincel de Herb Trimpe), “Dr. Estranho” (com Frank Brunner), “Defensores”, “Luke Cage” e “Capitão América”, que apesar dos 30 anos do personagem, mal vendia. Englehart veio com a explicação de que o Capitão América publicado nos anos 50 pela Marvel era um impostor, que fora trazido ao presente para enfrentar o verdadeiro herói. Essa continuidade retroativa não deixou contente John Romita, que havia desenhado aquelas aventuras cinquentistas. Mas os leitores ficaram elétricos. Em seis meses, as vendas de “Capitão América” estavam em ascensão, e os “Vingadores” foi confiada a Englehart.

Outra HQ confiada a Englehart foi “Dr. Estanho”, que fez em parceria com o desenhista Frank Brunner. Quando não estava se chapando no apartamento um do outro, eles estavam fazendo festa com Jim Starlin, Alan Weiss e Al Milgrom. Juntos, eles tomavam LSD e vagavam a altas horas pela Manhattan da época de “Desejo de matar”, buscando inspiração para as psicodelias de “Dr. Estanho”, “Capitão Marvel” e “Defensores”. Para não ter suas HQs censuradas, tentava passar a perna nos editores Stan Lee e Thomas. Certa vez, Brunner e seus amigos inventaram uma carta falsa de um padre de Dallas elogiando uma HQ do “Dr. Estanho” onde um mago se torna Deus. Thomas acreditou na farsa e publicou a carta elogiosa do suposto padre na seção de cartas da revista. As cartas “reais” que eles receberam, de estudantes universitários e esquisitos, vinham acompanhadas de saquinhos de Maui Wowie e diziam coisas do tipo: “Gosto de fumar uma bomba, botar um ELO, um ELP ou um Pink Floyd e ler a última edição de 'Dr. Estranho'”. Essas não saíam na seção de cartas. Ainda nos anos 70, Englehart aproveitou o herói Fera na revista dos Vingadores. O Fera entrou para os Vingadores e virou o primeiro maconhado da Marvel, embora Englehart não pudesse dizer isso no gibi. Em vez disso, ele mostrou Fera lendo Carlos Castañeda e tocando discos de Stevie Wonder, significantes de que “era um cara jovem, o intelectual que tinha entrado na modinha”.

Com o tempo, Englehart ficou farto da Marvel. Lee, por exemplo, vivia interferindo em “Mestre do Kung Fu”, para irritação de Englehart e Starlin, que jogaram a toalha. A situação piorou quando Lee foi promovido a “publisher”, um homem de negócios da Marvel, mais preocupado com números do qua com HQs. Tomavam-se decisões na Marvel, disse Englehart, “não por Stan Lee como o alto escalão de um bando de gente criativa, mas por Stan Lee no baixo escalão de um bando de empresários. E ele começou a levar toda sua energia para o lado comercial em vez de direcioná-la para o lado criativo”. Englehart deixou a Marvel em 1976. Mudou-se então para a concorrente, a DC Comics, onde tornou-se popular roteirizando “Batman” (para a revista “Detective Comics”, com arte de Marshall Rogers & Terry Austin). Ainda para DC, fez “Superman”. Tempos depois, voltou para a Marvel. Mas a chegada de um novo editor-chefe, Joe Quesada, em 2000, trouxe dores de cabeça para Englehart.

Englehart mudou-se para a Califórnia, onde reside até hoje, e lá conheceu e se casou com sua esposa, Terry.

Usou também o pseudômino “John Harkness”.



Notas e fontes —
- goodcomics.comicbookresources.com/2010/11/05/comic-book-legends-revealed-285/
- Antônio Luiz Ribeiro



Relate algum problema encontrado nesse artista