Vertigo: Além do Limiar


Joselito de Oliveira Mattos



País de nascimento: Brasil
1924
14 de junho de 1989

Lista de revistas com trabalhos de Joselito de Oliveira Mattos
Veja lista detalhada dos trabalhos


Joselito de Oliveira Mattos foi um dos maiores e mais elegantes desenhistas do quadrinho infantil brasileiro — artista cuja linguagem gráfica (traço fluido, domínio do gesto e apuro de composição) marcou gerações de leitores das décadas de 1940–1960 e reverbera nas pesquisas e reedições recentes. Sua obra abrange quadrinhos, ilustração infantil, cenografia teatral e um extensíssimo trabalho como designer de capas de discos; nas últimas décadas vem sendo objeto de recuperação editorial e acadêmica.

Os dados públicos sobre sua infância e formação são escassos em fontes digitais, mas entrevistas históricas e levantamentos apontam que Joselito atuou profissionalmente a partir da década de 1940 e que sua carreira no Rio de Janeiro começou após ele se mudar para buscar trabalho. Em entrevista de 1972 publicada pelo O POTI, jornal de NATAL - RN, Joselito relata que chegou ao Rio em 1946 e começou a trabalhar como desenhista na Sociedade Gráfica “Vida Doméstica” — o que o colocou na órbita das revistas infantis da editora e do periódico Vida Infantil.

Em 1949 passou a desenhar histórias para a revista Vida Infantil (Sociedade Gráfica Vida Doméstica), e desde a fundação do Sesinho (1948) trabalhou também para a revista do SESI, permanecendo no título até seu fim editorial por volta de 1961. Nessas páginas infantis Joselito criou e popularizou personagens que marcaram a infância de muitas gerações: Pituca (o macaquinho endiabrado), Lourolino (o papagaio), Remendado (tartaruga), Zulu e outros — além de colaborar com séries do Sesinho como Champanhota, Puga, Gigi e o personagem-coelho citado por ele na entrevista.

O traço de Joselito é frequentemente descrito por críticos e historiadores como “elegante” e “fluido”, com evidente influência do desenho animado e dos estúdios Disney (gesto, ritmo e expressão), mas com personalidade própria: grande economia de linhas, clareza de leitura e sensibilidade para o humor infantil e o design de personagens. Críticos e pesquisadores consideram-no um dos maiores nomes do quadrinho infantil brasileiro — opinião refletida em artigos de memória e na recente reedição/estudo sobre sua obra.

Atuação além das páginas de quadrinhos — ilustração, cenografia e capas de disco
Joselito não se limitou aos quadrinhos: trabalhou intensamente como ilustrador de livros infantis, cenógrafo para teatro de revista e, notavelmente, como designer de capas de discos (LPs). Relatos da sua biografia e matérias de resgate indicam que ele criou o layout de centenas de capas de vinil — algumas fontes mencionam números impressionantes (centenas), com trabalhos reconhecidos inclusive no exterior. Esta faceta ampliou seu campo de atuação e ajudou a torná-lo uma figura conhecida fora do nicho dos gibis.

Reconhecimento contemporâneo e recuperação histórica
Após décadas de relativo esquecimento editorial, o trabalho de Joselito vem sendo objeto de recuperação: pesquisadores e editores têm publicado artigos, reimpressões e um livro-biografia que procura reunir e analisar sua produção (por exemplo, iniciativas da Editora Noir e reportagens sobre a HQ biográfica Joselito Solta Seus Bichos de Marcos Massolini). Esse movimento ressalta tanto a importância histórica do autor quanto as lacunas de documentação que ainda persistem.

No conjunto de fontes pesquisadas Joselito relata ter recebido prêmios pelo design (menciona prêmios nos Estados Unidos e Inglaterra na entrevista de 1972) — porém não há um inventário público e detalhado dessas premiações em bases online acessíveis. O reconhecimento crítico veio em forma de elogios, citações por pesquisadores (por exemplo Franco de Rosa e outros estudiosos do quadrinho) e, mais recentemente, por obras e pesquisas que resgatam sua produção.

Fontes de memória afirmam que Joselito viveu em estúdio-apartamento no Rio e que, apesar da visibilidade inicial, viveu com certo desalento em relação ao valor editorial dado aos quadrinhos no Brasil (frase famosa: “Quadrinhos não dá”, da entrevista de 1972).

Joselito de Oliveira Mattos faleceu em 14 de junho de 1989, aos 65 anos, por infarto do miocárdio, ao se submeter a uma cirurgia cardíaca no Hospital São Camilo – Unidade Santana, em São Paulo.

Joselito foi um nome-chave para a construção da linguagem do quadrinho infantil brasileiro no pós-guerra: suas criações (Pituca, Lourolino, Remendado etc.) e seu traço elegante criaram um repertório visual e afetivo que sobrevive no imaginário dos leitores nascidos entre as décadas de 1940 e 1970. A redescoberta editorial atual confirma o valor de sua obra e motivou reedições, estudos e uma biografia dedicada — gestos que o reposicionam como referência obrigatória para a história dos quadrinhos infantis no Brasil.

~ Arthuro Ross


Joselito de Oliveira Mattos

Personagens criados por Joselito de Oliveira Mattos (7)


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  • Antônio Luiz Ribeiro
  • Adicionado por
    Antônio Luiz Ribeiro
    em 19/04/2008 23:10:00