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Max Yantok - ‘Nicolau Cesarino’



29 de janeiro de 1879
1 de outubro de 1964

Lista de revistas com trabalhos de Max Yantok - ‘Nicolau Cesarino’
Veja lista detalhada dos trabalhos


Nicolau Cesarino, mais conhecido por Max Yantok, foi um dos grandes artistas gráficos da primeira metade do século XX no Brasil. Entrou para o time de colaboradores do “Tico-Tico” em 1910. Homem de múltiplos talentos, além de quadrinista e caricaturista, foi também tradutor, intérprete, contador, engenheiro, jornalista, poeta, mágico. Participando de uma companhia lírica, viajou o mundo. Talvez com o conhecimento que adquiriu nessa viagem se inspirou para criar sua personagem mais célebre, Kaximbown, figura esta que Rui Barbosa — amigo do desenhista — era fã confesso. Algumas fontes atribuem a Yantok a criação do termo “urucubaca”, para se referir ao azarado presidente Hermes da Fonseca.

Segundo Rosalina Zorzi, em correspondência ao Guia dos Quadrinhos, e confirmado pelo próprio bisneto do artista, Frederico Cesarino, Yantok nasceu em Soledade, RS, numa tribo da etnia Tupi, em 29 de janeiro de 1879. Filho do italiano Giovanni Cesarino com a filha do pajé, Maurícia, nome dado por Giovanni pela dificuldade de pronúncia do nome indígena. Maurícia morreu no nascimento do terceiro filho do casal, que faleceu junto da mãe, em 1887.

Conta-nos Frederico Cesarino que, “logo cedo, o Yantok foi estudar na Itália, e por conta do facismo regressou ao Brasil, casado com a Senhora Amélia Maulaz, nascida na Suíça”. No Brasil, fixou-se no Rio de Janeiro.

A origem do nome "Max Yantok" é explicada pelo bisneto do artista: "Yantok é um bastão filipino usado para açoitar as pessoas". Porém, no Jornal do Brasil de 25/4/63, diz-se que o apelido vem do Tupi "Y-anta-oca", que seria a "casa da anta no rio". Teve outros pseudônimos, como Max Cesarino, Ketno e Mefisto.

O artista participou ativamente da sociedade carioca, conhecendo celebridades como Enrico Caruso, Julio Verne, Lima Barreto, Monteiro Lobato. Chegou a ser o intérprete de Caruso no Brasil. Como desenhista e jornalista, trabalhou em várias publicações da época, como "Revista da Semana", "O Malho", "Dom Quixote", jornais "Gazeta de Notícia", "Correio da Manhã" e "Diário Carioca". Diz Ezequiel de Azevedo que o artista era fluente em 11 idiomas, sendo o tradutor durante os anos 1930 do material da King Features Syndicate. Realizou treze exposições, e publicou cerca de 45 livros infantis.

Seu melhor trabalho, no entanto, é como desenhista. Começou sua carreira em jornais italianos e, em 1908, foi contratado pela editora O Malho. Nas HQs, tinha um traço voltado ao humor, com personagens de cabeças grandes e olhos amalucados. Vê-se certa influência das HQs da época, como Winsor McCay e seu "Little Nemo". De acordo com Lucchetti (2005), “construiu sua obra mais duradoura, compondo tipos pitorescos, vagabundos, andarilhos, sem família, sem lar, desprovidos de qualquer bem material e, muitas vezes, famintos. Através deles, Yantok fez uma crítica a nossa sociedade cruel, onde alguns tudo possuem e outros não têm nem mesmo o mínimo para matar a fome”. Seu trabalho tinha estilo inconfudível. Além do carismático Kaximbown e seu assistente Pipoca, criados em 1911 para “O Tico Tico”, criou também "Pistolão", "Sábado" e "Barão de Rapapé". Posteriormente criou "Pandareco, Parachoque e Viralata".

No ano de 1956, já idoso, tinha problemas em publicar suas ilustrações, consideradas “ultrapassadas” pelos editores, como nos conta Marcos A. Lucchetti. Nesse ínterim, foi contratado pela Ebal, realizando histórias de uma página, principalmente na “Capitão Z - Segunda Série”, onde desenhou histórias longas como “Os truques de D. Pára-choque”. Nos seus últimos anos, publicou HQs pelos Diários Associados.

Aposentou-se em 1962. De acordo com a Folha de S. Paulo publicada na época, faleceu no Rio, em 1 de outubro de 1964. “O homem que vivia rindo”, segundo Amélia, sua viúva, que na ocasião da morte de Yantok declara seu medo: “é que ele fique esquecido”.

Por Erico Molero.

Bibliografia

AZEVEDO, Ezequiel de. "Os desenhistas". In Ebal: fábrica de quadrinhos: guia do colecionador. São Paulo: Via Lettera, 2007.

BARBOSA, Alexandre Valença Alves. Histórias em quadrinhos sobre a História do Brasil em 1950: A narrativa dos
artistas da EBAL e outras editoras. São Paulo: USP, 2006.

CESARINO, Claudia. "Nosso nome". In http://inforum.insite.com.br/17697/msgs/167/ .

Entrevista com Frederico Nicolau Cesarino, bisneto do artista. In: www.guiadosquadrinhos.com

FRADIQUE, Mendes; LUSTOSA, Isabel. História do Brasil pelo Método Confuso. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

LUCCHETTI, Marcos Aurélio. "Os grandes artistas de O Tico-Tico". In O Tico-Tico - centenário da primeira revista de quadrinhos do Brasil. Vinhedo-SP: Opera Graphica Editora, 2005.

ZORZI, Rosalina. Apud A caricatura, de Hermes Lima.

Jornal do Brasil (25/4/1963). In http://memoria.bn.br

Folha de São Paulo (2/10/1964). In http://acervo.folha.com.br/





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    Erico Molero
    em 15/07/2007 13:02:00