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Wally Wood



País de nascimento: Estados Unidos da América
17 de junho de 1927
3 de novembro de 1981

Lista de revistas com trabalhos de Wally Wood
Veja lista detalhada dos trabalhos


Um dos maiores ilustradores norte-americanos, Wallace “Wally” Wood, matriculou-se na New York's School of Visual Arts ao final da Segunda Guerra Mundial. Sua carreira teve início como letrista e assistente em “Terry e os Piratas”, de George Wunder, e no estúdio Eisner & Iger, onde auxiliou Will Eisner no “Spirit”. Tornou-se popular em 1950, através das HQ´s de ficção-científica, de aventura e de terror para a editora EC, algumas delas em parceria com Harry Harisson. É dessa época, por exemplo, sua colaboração nas revistas de guerra “Aces High” (sobre combates aéreos), “Two-Fisted Tales” e “Frontline Combat”, todas da EC. Wood era grande admirador de Alex Raymond, o qual exercia forte influência em seu estilo.

Com o cancelamento da linha de terror e ficção-científica da editora, em meados dos anos 1950, Wood foi para a revista “Mad”, da mesma empresa em que se destacou como um dos artistas principais. Novamente, brincou com os personagens de Raymond na sátira “Flesh Gordon” (na “Mad” nº 11, em 1954). Wood evidentemente se divertia ao desenhar Flash Gordon, mesmo sob o formato de sátira. Mas em 1957 ele finalmente realizou seu sonho: ilustrou oito tiras diárias do Flash Gordon oficial (episódio “Cybernia”, publicado entre 19/08/57 e 19/10/57). Embora seu nome não fosse creditado – as tiras eram assinadas por Dan Barry –, Wood entrava finalmente para o “roll” dos artistas que desenharam o grande herói espacial. No ano seguinte, juntou-se a outro “monstro” dos Quadrinhos, Jack Kirby! Juntos produziram “Sky Masters”, uma nova tira de ficção-científica.

Wood havia saído furioso da “Mad” porque um editor recusara uma história sua. Em 1964, foi para a Editora Marvel, onde substituiu Bill Everett e Joe Orlando no Demolidor. Na edição sete (1965) da revista, Wood modernizou o uniforme do famoso herói, para um traje totalmente vermelho (bem mais condizente a um herói que tinha o demônio como símbolo do que o amarelo e vermelho espalhafatoso que usara até então). O artista, no entanto, não se adaptou ao “método Marvel” de fazer quadrinhos, o qual consistia, basicamente, no desenvolvimento da história a partir de um breve resumo feito por Stan Lee, para que, posteriormente, este acrescentasse os diálogos. Inclusive achava que criava argumentos sem ser pago e receber os devidos créditos. Sem contar que ele sofria de enxaqueca crônica e depressão. Bebia muito e passava noites insones no estúdio. Subsistia de cafeína e cigarro. Assim, deixou o Demolidor ainda naquele ano, com um profundo rancor de Stan Lee. Saiu da Marvel, mas o novo traje do Demolidor, agora desenhado por John Romita, ficou. Enquanto isso, Wood tocava um novo gibi: “T.H.U.N.D.E.R. Agents”, para a Tower Comics. Paralelamente, começava a ingressar no obscuro mundo “underground” dos comics, com a criação da revista “Witzend” (1966-69).

A década de 70 foi marcada pelo ingresso definitivo de Wood nos quadrinhos eróticos, embora tenha feito também material para a DC Comics (“Stalker”, “Isis”, “Hércules Libertado”, “Sociedade da Justiça”). Em um de seus últimos trabalhos, voltou a arte-finalizar o Demolidor, desenhado por Frank Miller na capa da revista Daredevil #164 (maio de 1980). Wally Wood foi o idealizador dos 22 painéis de diagramação de quadrinhos, os quais foram eventualmente organizados por Larry Hama, na época editor da Marvel, e até hoje são amplamente utilizados como referência para artistas do ramo quadrinístico como “Os 22 painéis que sempre funcionam”. Cometeu suicídio em 1981 em decorrência da doença que enfrentava.


Fonte —
- Michael T. Gilbert. “Alter Ego” nº 18, 2002;
- Antônio Luiz Ribeiro




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